segunda-feira, 24 de junho de 2019

‘A Folha de S. Paulo acabou por se revelar um pigmeu moral que come nas mãos d'A Interceptadora' e do crime organizado’, diz ex-procurador da Lava Jato


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O procurador aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima, que era considerado o decano da Lava Jato enquanto estava na ativa, comentou, em suas redes sociais, diversos aspectos da participação do jornal Folha de S. Paulo na divulgação de supostas conversas entre procuradores e o ministro Sérgio Moro. 


Ouça: 


Logo no início da divulgação dos materiais, Lima afirmou que os materiais não servem como prova de nada, já que são produtos de crime e não se sabe sequer se são verdadeiros. Carlos Fernando dos Santos Lima disse: 

Vamos colocar os pingos no Is:

1. Notícias não são prova de nada, salvo da existência delas mesmo em caso de ação por indenização por danos morais. 
2. Não houve entrega da mídia para perícia da PF.
3. Houve um crime de invasão de comunicação de autoridades, o que torna tudo produto de crime e ilícito, sendo inválido como prova. 
4. Não há nenhuma garantia de que esses "textos" sejam verdadeiros e que não tenha sido acrescentado ou retirado nada.
Esses são os fatos. Querer interpretar mais que isso é má-fé, cegueira ideológica, ou ignorância ingênua. Querer publicar isso é imprensa marrom.

Posteriormente, o procurador também explicou que faz parte da prática jurídica o juiz conversar com as partes e com os policiais, enquanto o hackeamento de comunicações é crime e gera riscos para as pessoas expostas. Lima disse: “Conversas entre juiz e procuradores, juiz e advogados e entre juiz e policiais são comuns e incentivadas pelas leis. Pretender que isso é indevido é desconhecer a prática judiciária ou tentar enganar o público”. E acrescentou: “Hackear comunicação de autoridades não só é crime, mas coloca, como no caso da Lava Jato, em risco operações policiais, agentes infiltrados, colaboradores, cuja identificação agora se encontra nas mãos do crime organizado. Mas também expõe familiares e amigos à retaliação desses criminosos. É preciso deixar claro que o Estado brasileiro investigará e punirá exemplarmente esse delito. Roubaram comunicação de autoridades, fizeram o que quiseram com os arquivos, e entregaram a um site inescrupuloso. Simples assim”. O procurador questionou: “Alguém ouviu ‘A Interceptadora’ explicar como o produto do crime chegou às suas mãos?”. 

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Quando o jornal Folha de S. Paulo anunciou que passaria a publicar os materiais, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima reagiu, afirmando tratar-se de um erro do jornal. Lima publicou um texto: 

A Folha de São Paulo erra ao publicar material apócrifo e de origem criminosa. O primeiro de seus erros foi dizer que A Interceptadora recebeu de fonte anônima, enquanto está claro que este site conhece e protege a Fonte. Assim, nenhum jornal sério iria trabalhar no material sem que a fonte fosse compartilhada.

Além disso, "atestar" a integridade do material com o argumento de que as mensagens de seus jornalistas ali estavam é no mínimo ingênuo, pois não há dúvida da existência de um crime de hackeamento e que potencialmente parte do material tenha essa origem.
O fato de ter sido repassado para terceiro não muda a origem criminosa, nem a dúvida sobre a integridade dos fatos ou sequer o claro interesse de desestabilizar Moro e soltar Lula.

Por fim, comentando sobre o “encolhimento” do escândalo que se tentou criar, o procurador atacou o jornal: “Não foi somente o escândalo que encolheu, pois ao publicar material apócrifo, de origem criminosa, e de cuja fonte não lhe foi compartilhada, a Folha de São Paulo acabou por se revelar um pigmeu moral que come nas mãos d'A Interceptadora' e do crime organizado”.

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