sexta-feira, 19 de abril de 2019

‘O descumprimento de ordens manifestamente ilegais não é ato revolucionário: é o estrito cumprimento do que manda o ordenamento jurídico’, afirma juíza


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
A juíza Ludmila Lins Grillo, em manifestação por suas redes sociais, lembra que o ordenamento jurídico brasileiro prevê que é dever do servidor público cumprir as ordens superiores, salvo quando manifestamente ilegais. A juíza explica que o servidor que cumpre ordens ilegais também deve ser responsabilizado. E exemplifica: “Podemos exemplificar com mandados de busca e apreensão expedidos em inquérito manifestamente ilegal/inexistente. Nesse caso, cabe ao policial federal/civil/militar descumpri-los. Da mesma forma, o cumprimento de mandado de prisão oriundo de autoridade ilegítima”. 


Ouça: 


Leia o texto da juíza Ludmila Lins Grilo: 

Nosso ordenamento jurídico contempla um conceito pouco utilizado, mas muito importante para a manutenção da legitimidade e da normalidade republicana: o de "ordem manifestamente legal/ilegal".
A Lei n. 8.112/90 (Estatuto dos Servidores Federais) prevê, no título que trata do regime disciplinar, mais especificamente no artigo 116, IV, que é dever do servidor cumprir as ordens superiores, salvo quando manifestamente ilegais.
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Tal regramento contido no estatuto federal é replicado em inúmeras leis estaduais e municipais para que também se apliquem aos servidores das demais esferas federativas. Desconheço qualquer objeção jurídica ao instituto da ordem manifestamente legal/ilegal.
Trata-se de conceito relacionado ao Direito Administrativo, mas também tem reflexos na esfera penal: o artigo 22 do Código Penal estabelece que não é punível o ato praticado em estrita obediência hierárquica, exceto quando a ordem for manifestamente ilegal.
A ordem manifestamente ilegal e o dever de seu descumprimento pelo agente público é previsto até mesmo no Direito Penal Militar, que, ao contrário do que sustentam alguns, não adota a "teoria da obediência cega". A diferença é que no CPM (Código de Processo Militar) a ordem deve ser manifestamente criminosa.
Portanto, o cumprimento de ordens superiores manifestamente ilegais (ou criminosas, na hipótese militar) enseja a responsabilização não só do agente que as deu, mas também do agente público que as cumpriu.
Podemos exemplificar com mandados de busca e apreensão expedidos em inquérito manifestamente ilegal/inexistente. Nesse caso, cabe ao policial federal/civil/militar descumpri-los. Da mesma forma, o cumprimento de mandado de prisão oriundo de autoridade ilegítima.
O descumprimento de ordens manifestamente ilegais não é ato revolucionário, de rebeldia, de desrespeito às leis ou jacobinismo, ao contrário: é o estrito cumprimento do que manda o ordenamento jurídico. É a mais pura obediência ao que determina o Direito pátrio.
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Gazeta Social
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