quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Goleiro Bruno pode ficar livre e promotor desabafa: 'abrir as portas do cárcere seria escancarar ainda mais a impunidade já reinante no País'


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O promotor Rodrigo Merli Antunes, que atua no Tribunal do Júri de Guarulhos, aponta que, em meio às eleições, não houve o devido destaque para o fato de que o ex-goleiro Bruno pode ir para o regime semiaberto já esta semana, sem cumprir nem metade de sua pena. O promotor reage: "Infelizmente, este é o nosso Brasil. E o pior é ainda ter de ouvir de um presidenciável que uma de suas propostas é esvaziar os presídios, e não o contrário". 


Leia abaixo o texto de Rodrigo Merli Antunes: 

No meio do turbilhão das eleições, uma notícia passou despercebida por grande parte dos brasileiros: a possibilidade de o ex-goleiro Bruno adquirir o direito ao regime semiaberto já no próximo dia 13. Apesar de condenado a cerca de 20 anos de prisão, ele não deve cumprir nem metade disso na cadeia. O mesmo, inclusive, deve ocorrer em breve com outro assassino que ajudei a condenar, neste caso por matar a advogada Mércia Nakashima, em maio de 2010. Infelizmente, este é o nosso Brasil. E o pior é ainda ter de ouvir de um presidenciável que uma de suas propostas é esvaziar os presídios, e não o contrário.
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Aliás, dizer que a maioria da massa carcerária brasileira é composta por gente inofensiva, beira a mais absoluta ignorância. Hoje em dia, basicamente, só temos pessoas presas pelos crimes de roubo, homicídio e estupro. Nem para tráfico de drogas tem se aplicado mais a pena de prisão, o que é absolutamente revoltante. O Brasil não prende demais! Prende é muito pouco! Dos cerca de 1.050 crimes previstos em nossas leis, em apenas 28 o juiz pode determinar o início da pena em regime fechado. Em todos os demais, cabe prestação de serviços à comunidade, regime aberto ou algum outro benefício que, às vezes, sequer redunda em um processo criminal. E isso sem contar os delitos não elucidados, os quais atingem cerca de 90% só em relação aos homicídios.
Em outras palavras, abrir as portas do cárcere seria escancarar ainda mais a impunidade já reinante no País. Outro dia, vi na TV um médico metido a entendedor de tudo dizer que juízes e promotores deveriam conhecer os locais para onde mandam seus presos, querendo sugerir com isso que devemos pensar duas vezes antes de enviar alguém para a cadeia. Ora bolas, quem precisa refletir é o criminoso, e não nós. Ademais, a se sustentar esse raciocínio, creio que, então, o bandido também deveria conhecer primeiro o lugar para onde manda suas vítimas (no caso, o cemitério). É tanto argumento ridículo que fica até difícil manter a calma. Mas, enfim, aguardemos os próximos dias para ver o que vai acontecer com o tal goleiro. Só acho curiosa essa data. Dia 13. Alguma outra seria mais propícia para conferir direitos a criminosos? Será mera coincidência? Ou um sinal divino?

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