terça-feira, 3 de julho de 2018

'A Lava Jato vem sofrendo ataques. Depois das eleições, ficará pior', diz Deltan Dallagnol


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
O procurador e coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, comentou um artigo de Matias Spektor, publicado no jornal Folha de S. Paulo, e afirmou: "O texto pode até parecer bem pessimista, mas a Operação Lava Jato vem sofrendo ataques. Depois das eleições, ficará pior. Por isso, é tão importante que a sociedade se mobilize pela campanha 'Unidos Contra a Corrupção'".

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Leia abaixo o texto de Matias Spektor referenciado por Dallagnol:

Aproveitando a distração popular com a Copa do Mundo na Rússia, a coalizão empenhada em matar a Operação Lava Jato avança. 
A esperteza desse grupo de políticos, empresários e ministros de tribunais superiores que comanda o atual regime e corre algum risco diante das investigações não se limita ao timing da iniciativa, mas também a sua abrangência. 
Na jogada brilhante dos últimos dias, os representantes do pacto no STF (Supremo Tribunal Federal) soltaram presos e suspenderam processos que beneficiam gente graúda em todo o espectro ideológico.
A ofensiva do STF não podia ser mais conveniente para os partidos políticos. Como estamos à beira de uma eleição gigantesca para renovar o Executivo e o Legislativo, quem tem cargo eletivo prefere não agir em público contra juízes e promotores que ainda gozam de apoio popular. De olho no eleitor, a CPI da Lava Jato foi retirada de cena com a mesma teatralidade em que lá foi posta. 
Graças ao trabalho da corte suprema, os partidos foram à forra. O PT conseguiu tirar um velho ministro chefe da Casa Civil, inocentar uma senadora da República, anular uma busca e apreensão em seu apartamento e, de quebra, invalidar as provas que tinham por alvo seu marido, ex-ministro poderoso da sigla.  
Com ajuda do Supremo, o PSDB livrou o deputado estadual da suposta máfia da merenda escolar da denúncia que o pressionava. 
O MDB tirou da prisão o operador acusado de esquema de fraudes em fundos de pensão como Postalis e Serpros. 
O PP conseguiu soltar um tesoureiro, rejeitar ação penal sobre intermediação de propina e adiar o julgamento de um senador. 
O PSD conseguiu livrar um deputado de denúncia de falsificação de documentos, e o PC do B aproveitou o embalo para recorrer contra a prisão em segunda instância. 
Passada a eleição, o pacto oligárquico redobrará a sua aposta, aproveitando a baixa taxa de renovação política. Qualquer substituição da velha política por um sistema um pouco mais limpo e decente demandaria mudanças profundas nas regras do jogo, mas nada indica que isso vá ocorrer. 
Depois de outubro, o pacto também contará com um presidente mais forte do que o atual. Aí poderá introduzir novas regras para reduzir o poder do Ministério Público, aumentar a capacidade das cortes superiores de descartar evidências coletadas em delações premiadas e restaurar a prática de postergar condenações para quem tem condições de arcar com as custas de advogados de elite. 
A seleção brasileira encerrou a semana na Rússia chegando à liderança de seu grupo. Mas a grande vitória de 2018 será a do atraso. 

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Gazeta Social
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