sábado, 12 de maio de 2018

'Depois desse curso intensivo, eu sou ainda mais favorável às candidaturas avulsas', diz Janaína Paschoal ao negar candidatura ao governo de São Paulo


Imagem: Produção Ilustrativa / Folha Política
A jurista Janaína Paschoal explicou que decidiu não se candidatar ao governo do estado de São Paulo, apesar dos convites. Paschoal relatou o contato com o mundo político e os convites, e afirmou: "Esses últimos dias foram muito importantes para eu compreender (um pouco) como isso tudo funciona. Sem desmerecer os partidos, depois desse curso intensivo, eu sou ainda mais favorável às candidaturas avulsas". Em uma reflexão sobre seu papel como cidadã, Janaína não descartou uma candidatura a outro cargo, mas não considerou provável. 

Leia abaixo as reflexões de Janaína Paschoal: 

No período que antecedeu ao término do prazo para filiação, recebi telefonemas de muitos partidos. Fui convidada a me filiar a partidos que nem imaginava que poderiam me convidar. Eu fiquei muito lisonjeada com tantos convites e fiz questão de atender um a um.
Acho que não seria adequado indicar os nomes dos vários partidos. Se as siglas quiserem dizer, podem dizer. Recebi muitas para sair a Deputada, tanto federal como estadual; a Senadora, a vice-Presidente e até a Presidente. Eu sei, é inusitado, mas aconteceu.
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Esse mundo político é muito difícil, não entendemos as regras. Nessas reuniões, os interlocutores dos vários partidos procuraram me esclarecer como podiam. Falaram sobre dificuldades da campanha, dificuldades de cada um dos cargos.
Eu, por exemplo, não sabia que o número de deputados federais é o que define o montante que o partido recebe como fundo partidário. Também não sabia que esse número é diretamente proporcional ao tempo de televisão.
Talvez por isso a maior parte dos partidos insista muito para pessoas que, potencialmente, têm muitos votos concorram à Câmara Federal. Mesmo quando sugeriam outros cargos, a Câmara Federal sempre era a opção que os vários partidos mostravam como a melhor.
A cada reunião, eu lia a carta/estatuto de cada um dos partidos, via se as propostas da sigla coincidiam com o que eu penso. Não raras vezes, havia muitas divergências, mas quando eu as apontava, em regra, o interlocutor dizia que isso não seria problema...
Esse sistema de a pessoa precisar se filiar para, eventualmente, se candidatar a algum cargo político é muito ruim. Pior ainda ter um prazo fatal para essa filiação. O que mais ouvi, de todas as siglas, foi Dra. habilite-se, depois a Sra. decide.
Há muitas questões que, para quem não é do mundo político, assustam muito. Assusta, por exemplo, a ideia de fazer as famosas vaquinhas virtuais, usando o nosso nome. Assusta o fato de sair a Deputado e, se tudo der certo, levar pessoas que você sequer conhece.
Estou tentando traduzir esses sentimentos para vocês, pois é muito difícil ter a real dimensão olhando de fora. Nessas muitas conversas, em várias oportunidades, recebi o "alerta" de que, às vezes, os Partidos convidam as pessoas para tirá-las da disputa. Explico...
O fato de uma pessoa se filiar a um determinado partido e querer concorrer a um cargo não significa, em nenhuma medida, que essa pessoa receberá a legenda. Não é impossível que a pessoa se filie e, na hora de apresentar as candidaturas, o partido cerceie sua participação.
Esses últimos dias foram muito importantes para eu compreender (um pouco) como isso tudo funciona. Sem desmerecer os partidos, depois desse curso intensivo, eu sou ainda mais favorável às candidaturas avulsas. As pessoas se voluntariam, livremente, e o povo decide.
Entendo que seria um avanço, em termos de Democracia, o STF autorizar essas candidaturas avulsas. Não estou desmerecendo os partidos, aliás, agradeço publicamente todos os convites, mas acredito que a Democracia passa por concorrer desvinculado.
No último dia do prazo, eu me filiei ao PSL. Muitas pessoas já ligadas à sigla me recomendaram. Com exceção de um ou outro ponto, o estatuto do partido confere com o que eu penso. Não há notícias de escândalos de corrupção envolvendo a sigla, ou seus membros.
Eu não me filiei pensando em sair candidata ao cargo A, ou B. Eu me filiei com o intuito de ter a possibilidade. Se a filiação ocorresse depois do dia 07/04, uma eventual candidatura não seria possível. Imagino que o próprio Ministro Joaquim Barbosa tenha pensado assim.
Li alguns colunistas indagarem os motivos pelos quais o Ministro Joaquim teria se filiado, se não pretendia concorrer. Imagino que seja exatamente em função do prazo limite. O tal prazo oprime as pessoas. Isso aconteceu comigo.
Fiquei muito honrada com o fato de meu nome ter sido cogitado para concorrer ao governo do Estado de São Paulo. Eu amo São Paulo, que recebe todo o Brasil. Confesso que essa ideia me balançou muito. Sei que parece loucura, mas balançou.
Gostaria muito de utilizar meus conhecimentos e estudos para aprimorar o trabalho das duas Polícias, que entendo não devem ser unificadas. Gostaria ainda mais de universalizar o ensino integral, de construir creches para as crianças ficarem seguras enquanto as mães trabalham.
Eu sempre pensei que meu papel fosse, exclusivamente, formar quadros para ocuparem os vários cargos. Também sempre me vi no papel de escrever e, quem sabe, dar ideias aos governantes. O Professor Universitário tem essa missão. Essa é a beleza da nossa profissão.
De repente, a ideia de concorrer ao Governo do Estado me balançou, pois eu senti que poderia ser a pessoa a implementar todos esses sonhos. Muitos conhecidos e desconhecidos começaram a me contatar para se voluntariar a trabalhar de graça na campanha. Foi emocionante!
Mas uma campanha ao Governo de São Paulo é algo gigantesco. Por incrível que pareça, eu me sinto capaz de exercer o cargo (que não é algo simples), mas não tenho condições de enfrentar uma tal campanha. Ainda que um pouco triste comigo mesma, eu não vou me aventurar.
Se sairei a algum outro cargo? É provável que não. Tenho até agosto para decidir, mas penso que posso ajudar meu país, mesmo estando fora da política.
Ontem mesmo, fui convidada pelo Presidente do Movimento Ame Brasil, Dr. Marcelo Braga e pela Dra. Tallulah a abrir Seminário sobre Advocacia e Cidadania, em agosto. O intuito é fortalecer o civismo, o amor à pátria. Talvez meu papel seja esse: amar e ensinar a amar o Brasil!

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