domingo, 8 de abril de 2018

'Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês pelo juiz Sérgio Moro. Já para o STF a pena foi perpétua', diz colunista


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Em texto publicado antes mesmo da prisão de Lula, o blog "No Ponto do Fato", de HS Naddeo, explica que o juiz Sérgio Moro, agindo estrategicamente, conseguiu prender o ex-presidente e "condenou os ministros do STJ e STF a tirar suas máscaras, e assumir frontalmente de que lado estão". 



Leia abaixo o texto completo: 

Há 2 anos e 1 mês, dia em que Sérgio Moro ordenou a condução coercitiva de Lula, as pessoas se perguntam: porque não prendeu de uma vez?
Lula estaria solto se Moro o tivesse prendido naquele dia. Um imediato habeas corpus teria sido concedido em velocidade relâmpago, e não faltariam ministros do STJ e do STF para concedê-lo. Diria até que, se for possível, o habeas corpus levaria o jamegão de uma dúzia de graúdos dispostos a não permitir que Lula precisasse usar o vaso sanitário da cadeia.
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Uma das maiores virtudes de Sérgio Moro, entre tantas, é usar a inteligência, até mesmo no momento de quebrar as regras, como fez com a divulgação da interceptação do telefonema de Dilma para Lula. Naquele dia, subvertendo o usual, mas, ao mesmo tempo se amparando na lei (que afirma que é obrigação de um juiz (e penso que se estende a funcionários públicos em geral) denunciar o cometimento de um crime, sob o risco de ser processado por prevaricação), Moro expôs Lula, Dilma e um conluio de autoridades que estavam fazendo vista grossa para a obstrução de justiça representava a nomeação de Lula.
No dia da divulgação do telefonema, Sérgio Moro deu um nó na república. Fosse um jogo de xadrez teria sido um xeque de rainha e bispo.
Imaginem vocês o que Sérgio Moro sabe. Imaginem o que já ouviu de delatores, o que já viu em provas, a profundidade que conhece os crimes e os sistemas criminosos, e, principalmente, ele sabe nomes de todos os envolvidos, de todos os escalões, de todas as esferas do poder.
Naquele bendito dia, em que expôs a gravação de Lula e Dilma, Moro colocou a república de joelhos, acendendo a luz vermelha na cabeça de cada envolvido com a corrupção revelada pela Operação Lava Jato.
Sérgio Moro não prendeu Lula para que Lula estivesse exatamente na situação que está. E não só ele. Ao deixar Lula solto Moro condenou os ministros do STJ e STF a tirar suas máscaras, e assumir frontalmente de que lado estão.
Não por acaso, o ministro Gilmar Mendes tem Sérgio Moro como desafeto. Seu desejo era que Moro tivesse prendido Lula para que o STF surgisse como salvador de um mártir. Mas, como Lula não foi preso, o juiz de Curitiba deixou para o STF a responsabilidade de dizer ao Brasil o que fazer com ele, e assim deixar claro que existem três justiças no Brasil, a da população comum, a dos ricos e a dos corruptos, para os quais muda-se até a jurisprudência do país para atendê-los.
A última sessão do STF, na qual foi aceito o exame do habeas corpus de Lula e concedida a liminar para que ele não seja preso até o dia 4 de abril, foi o maior escândalo que se tem notícia na história do judiciário brasileiro. Um conluio de pessoas claramente mal intencionadas usando suas togas para legitimar o que não tem jeito de ser legítimo, passando por cima do direito de milhares de pessoas que aguardam anos pela oportunidade de terem seu habeas corpus julgados.
Lula não é diferente de nenhum cidadão, não se iludam. Ele é diferente para os advogados, políticos e magistrados que o protegem, apenas porque eles não têm como se proteger de Lula se ele for preso e resolver contar ao juiz Sérgio Moro o resto da história que ele conhece. É disso que todo mundo tem medo.
Sergio Moro não mudou a maneira de fazer justiça nesse país. Ele começou a fazer justiça, o que nunca havia sido feito antes. E mais do que começar, Moro fez a justiça usando a inteligência e não a autoridade. Juntou cada pequeno pedaço do quebra-cabeça que ele já conhece por inteiro e que nós não devemos saber direito nem um terço.
Para quem conhece de xadrez, um xeque de rainha com bispo já é um problemão a ser resolvido pelo adversário. Mas isso foi lá atrás. Esconde o Rei daqui, esconde dali, e o xeque-mate sendo armado com a rainha, bispos, torres e cavalos. Faltam poucos e óbvios movimentos para acabar com o Rei adversário, o que só não vai acontecer numa única hipótese, derrubando o tabuleiro.
Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês pelo juiz Sérgio Moro. Já para o STF a pena foi perpétua.

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