sexta-feira, 24 de novembro de 2017

'Acredito que Lula vai acabar preso no caso do Celso Daniel', diz Mara Gabrilli


Imagem: Produção Ilustrativa / Gazeta Social
Em entrevista à revista Veja, a deputada Mara Gabrilli relatou a desilusão com o partido, conforme se acumulam as denúncias de corrupção, e especialmente após as denúncias envolvendo o senador Aécio Neves, presidente do partido. A deputada, que há anos denuncia o envolvimento do PT e de Lula no assassinato do prefeito Celso Daniel, acredita que o ex-presidente ainda pode ser preso por esse crime. 


Leia abaixo trechos da entrevista: 

A senhora sempre foi crítica à corrupção no PT. O que acha dos últimos episódios envolvendo o PSDB?
Fiquei bem desiludida desde que veio à tona a história do Aécio Neves. Logo na sequência, encontrei um cadeirante na entrada da Câmara, começamos a conversar e, a certa altura, ele me perguntou qual era meu partido. Foi a primeira vez que não senti orgulho de dizer que era o PSDB. Talvez tenha sido ingênua, principalmente em relação ao Aécio.

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Por quê? 
Em 2015, procurei o senador para fazer uma denúncia. Tinha a ver com pagamento de propina, pacotes de dinheiro. Fiquei duas horas falando sobre o envolvimento de pessoas do PSDB com criminosos. Uma delas era o Ronan Maria Pinto (empresário acusado de envolvimento na morte de Celso Daniel). Ele disse que não conhecia ninguém, que infelizmente nem todos no PSDB eram honestos como nós dois. Ele me fez de boba.

A senhora ficou surpresa ao tomar conhecimento do diálogo em que o senador Aécio Neves pede dinheiro ao empresário Joesley Batista?
Fiquei com vergonha. Depois dessa história de 2015, comecei a ficar meio cabreira com ele. Mas há outras coisas que aconteceram em Minas Gerais. Marcos Valério, o operador do mensalão, em uma das visitas que fiz a ele na cadeia, me contou de pessoas que, em nome do PSDB, ofereceram dinheiro para que ele se calasse e não revelasse a corrupção no partido no acordo de delação que está tentando fazer. Para mim, isso foi o estopim. Eu sempre disse que o PT matava. Agora, no entanto, não duvido de nada de nenhum partido, inclusive do meu.

A senhora tem medo de ser assassinada? 
Quando fui ao presídio, essa foi a primeira pergunta que Marcos Valério me fez: “Você não tem medo de morrer?”. Ele mesmo disse várias vezes que está morrendo de medo. Respondi que, se quisessem me matar, já teriam me matado antes. Afinal, fui eu que fiz a denúncia quando Celso Daniel foi assassinado. Também fiz um dossiê sobre Ronan Maria Pinto e o entreguei ao juiz Sergio Moro. Acredito que Lula vai acabar preso no caso do Celso Daniel. Marcos Valério me disse que tem as provas que incriminam o ex-presidente.

A senhora pretende continuar no PSDB?
Não sei o que fazer. Muitos tucanos também não sabem. Agora estão ficando evidentes os dois lados do partido, e o racha já está chegando à agressão. Além disso, o PSDB é um pouco machista, visto pelo prisma de que é muito difícil uma mulher sair candidata numa campanha majoritária. É sempre um homem. Por causa disso, não sei meu futuro em 2018.

A senhora foi cotada para ser ministra dos Direitos Humanos no governo Temer.
Fiquei lisonjeada, mas não tinha certeza se deveria entrar no governo. Gosto do Temer, eu o acho educado e cordial. Mas não consigo esquecer que ele foi vice de Dilma Rousseff durante todos aqueles anos e nunca falou nada sobre corrupção.

A senhora tem alguma ideia da razão desse silêncio? 
Acho que Temer é corrupto, como muitos. Tirando o peso da palavra, ele entrou no esquema que sempre existiu. “Todo mundo fez” é uma das frases mais ouvidas no Congresso. Não há um questionamento. A gente está vivendo um momento de depuração, e a Lava-Jato tem uma função histórica. Não vou ser ingênua de dizer que vai acabar a corrupção, mas acho que vai mudar, vai melhorar. Hoje, não creio que vá ser descoberto um escândalo maior que a Lava-Jato.

Alguém já ofereceu propina à senhora? 
Hoje, ninguém se atreve. Mas, quando fui vereadora na Câmara Municipal de São Paulo, tinha de escolher as comissões que iria integrar, e escolhi a de transporte. Então, um vereador veio ao meu gabinete e me disse: “É o seguinte, agora que você vai participar da comissão, já vou te avisar: o operador é o fulano”. Respondi: “Tô fora, meu filho. Não estou aqui para isso”. Também houve um caso que foi intervenção de Deus. Eu ia receber uma doação oficial da Odebrecht, e, no dia que o sujeito ia fazer a doação, ele morreu. Fiquei sem dinheiro. Primeiro, xinguei o morto. Agora, até hoje rezo por ele! Se não fosse isso, mesmo com a doação oficial, eu estaria na lista da Lava-Jato.

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