quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Justiça libera preso por roubo para fazer concurso da PM


Imagem: Ilustração
Homem preso por assalto a carro-forte e que trocou tiros com a polícia recebe autorização da Justiça para deixar o presídio e fazer o concurso da PM.

A Justiça do Piauí liberou um homem que estava preso para fazer a prova de um concurso da Polícia Militar no Maranhão. O episódio nada usual ganhou repercussão nacional.
O detento Luís Carlos Rodrigues de Oliveira, que cumpre pena por roubo a banco e carro-forte, chegou no local da prova usando tornozeleira eletrônica.

A autorização para que o presidiário prestasse o concurso partiu de um habeas corpus concedido pelo desembargador Pedro de Alcântara Macedo.
A defesa de Luis Carlos argumentou no pedido de liberdade que ele é pai de filho de 11 anos, possui esposa acometida com grave enfermidade e por ter sido convocado para realizar teste de aptidão física no concurso da PM.

O delegado da Divisão de Capturas (DICAP) da Polícia Civil, delegado Cadena Júnior, acredita que o candidato, caso seja aprovado no teste de aptidão, dificilmente conseguirá assumir a vaga de militar, pois ele espera que o mesmo seja reprovado na fase de investigação social.

“Eu desconheço as etapas do concurso público da PM no Maranhão, mas acredito que tenha a fase de investigação social, onde o candidato necessita ter bons antecedentes, uma boa reputação e gozar de respeito entre os vizinhos para assumir o cargo, coisa que não aconteceu por conta de sua prisão”, comentou.
Prisão

Luís Carlos foi preso em dezembro em Teresina, suspeito de participar de dois assaltos a carros-fortes no Maranhão e no Piauí. Segundo as investigações, teriam sido roubados R$ 1,5 milhão.
De acordo com a polícia, houve troca de tiros no dia da prisão. Dois suspeitos foram mortos. Com o grupo foi encontrado um arsenal com armamento de grosso calibre e até dinamite. Luís Carlos e outro suspeito foram presos.
Surpresa

A decisão judicial que autorizou a saída do preso para participar do concurso da PM surpreendeu até a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, que defende a re-socialização de detentos, mas não dentro de uma instituição como a Polícia Militar. A Associação dos Policiais Militares de São Luís também se manifestou contrária à participação de um detento no concurso.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão declarou que respeita e cumpre decisões judiciais. A fundação responsável pela seleção disse que o concurso tem uma etapa de investigação social, feita pela Polícia Militar, na qual todos os candidatos devem comprovar que não têm antecedentes criminais.

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