terça-feira, 1 de julho de 2014

Ex-comandante da Rota, Coronel Telhada lança revista em quadrinhos 'para fãs da PM'


Imagem: Reprodução
A carreira policial de Paulo Telhada, vereador e coronel da reserva da PM, virou história em quadrinhos. A HQ "Coronel Telhada em Quadrinhos" começou a chegar nesta sexta-feira (27) nas bancas de São Paulo e do Rio para, segundo o policial da reserva, "atender os fãs da Polícia Militar". 

Telhada ganhou notoriedade por seu trabalho à frente da Rota (tropa de elite da PM) e por emitir opiniões como "bandido, para mim, é para a cadeia ou para o saco mesmo. Ele escolhe o caminho"- o que lhe rendeu críticas de movimentos de defesa dos direitos humanos. 

De acordo com a assessoria do coronel, que atualmente é vereador em São Paulo pelo PSDB e almeja uma vaga na Assembleia, a ideia é mostrar a vida de um "herói nacional que combate o crime nos rigores da lei". A história foi revisada por policiais e vai mostrar situações que enfrentam diariamente os PMs nas ruas. Todos os casos são situações reais "estreladas pelo Coronel Telhada, o mais famoso comandante que a Rota já teve", diz nota enviada pela assessoria do parlamentar. 

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Telhada diz que a ideia surgiu entre amigos e funcionários dele que insistiam para que o coronel escrevesse uma biografia. Sem tempo para escrever, ele achou a ideia da revista uma alternativa para mostrar o trabalho dos policiais nas ruas. "Minha ideia nunca foi me valorizar. O que está na revista é o que todos os policiais fazem diariamente para defender a sociedade, não sou melhor que nenhum deles", diz. 

Segundo o coronel, o material desmitifica a atuação da PM. "Infelizmente existe um mito de que ninguém gosta da polícia, mas eu não acredito nisso. Criança gosta de história policial e os adultos também. Prova disso foi a aceitação nos cinemas com o personagem capitão Nascimento com os filmes 'Tropa de Elite'', afirma. 

Logo no começo da história, Telhada aparece como criança em um desfile militar em 1968, onde teria decidido ser policial. 

Já como policial, Telhada luta persegue criminosos armados e entra em uma luta corporal com um assaltante com uma faca. Evangélico, ele relata que foi acompanhado por um anjo durante a ação. O desfecho do caso foi os dois criminosos mortos, mas a revista traz um outro final para os bandidos. 

No fim da revista, no entanto, é reproduzido um recorte de jornal do caso divulgado na época pela mídia acompanhada de um comentário do policial da reserva. Segundo o coronel, sua religiosidade o fez ser conhecido como "PM de Cristo". Em outra história, Telhada reflete: "No fim, o que muitos não percebem é que o PM é o maior defensor dos Direitos Humanos". 

A publicação, com 32 páginas, custa R$ 5. Segundo Telhada, foram impressos 10 mil exemplares. 

Nas próximas edições a intenção é mostrar os reais desfechos, entre elas, a morte de suspeitos em confronto com a polícia. 

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Segundo a assessoria do vereador, os custos da revista foram pagos por patrocinadores. Se a HQ tiver uma boa aceitação, Telhada já tem outras seis edições planejadas - a segunda está pronta para a impressão. Ela vai tratar sobre a vida e a morte com uma ocorrência de um policial morto e de um suspeito assassinado. As ilustrações são feitas por Carlos Sneak, da Atreyu Studios, com um traço inspirado tanto no mangá japonês quanto nos comics norte-americanos. 

Telhada é o autor de dois livros e a sua comunidade no Facebook conta com mais de 175 mil seguidores. 

A revista já ganhou repercussão nas mídias sociais. No Facebook, o movimento Mães de Maio [grupo que cobra a resolução de mortes violentas não esclarecidas pelo Estado] questiona que tipo de formação vão ter crianças e jovens que lerem a revista. "Um conhecido comandante linha-dura da Rota, grupo de extermínio institucionalizado, como novo herói infanto-juvenil?", questiona. 

Telhada diz que não se incomoda com as críticas que virão. "Ninguém chuta cachorro morto, se estou incomodando ONGs que defendem bandido e jogam contra o povo, estou feliz. A minha pretensão é valorizar o policial e dessa maneira vou sempre incomodar essas pessoas que ganham dinheiro defendendo bandido", diz Telhada.

Folha de S. Paulo
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