segunda-feira, 7 de abril de 2014

'Só usei a cabeça', diz aposentado criador de minicarro elétrico no RS


Imagem:  Marcus Büneker / Arquivo Pessoal
Uma visita à Itália em 2009 levou um aposentado do Rio Grande do Sul a iniciar neste ano uma batalha para emplacar no país um modelo artesanal de minicarro elétrico. Criador do JAD, João Alfredo Dresch, 68 anos, peregrina desde janeiro em busca de empresas interessadas no projeto. Ele garante que o modelo tem 5 CV de potência, roda a até 70 km/h, não polui, é silencioso, tem menos de 2 metros de largura e dispensa o uso de combustível. Além disso, o gasto por quilômetro rodado é estimado em cerca de R$ 0,10.


Sem formação de ensino superior, mas com um vasto currículo obtido em uma fábrica de fermento na Região do Vale do Taquari, o inventor diz ser movido pela curiosidade.
"Só usei a cabeça. Acho que isso falta neste ramo. Fui à Itália e vi esses carros pela rua. Voltei decidido a fazer algo parecido", detalha.
No passado, ele se arriscou em uma invenção sobre a qual prefere não entrar em detalhes. Só diz que não deu certo. "Sou um curioso. Desta vez, arranjei R$ 10 mil emprestados e começamos com um primeiro protótipo do carro de papelão, outro de madeira, e um último de fibra, até chegar ao modelo de aço".
Montagem carro (Foto: Marcus Büneker/Arquivo Pessoal)Protótipos de papelão, fibra e madeira antecederam versão final  (Foto: Marcus Büneker/Arquivo Pessoal)
Para engrenar o marketing da iniciativa, Dresch enfrentou percalços. Entre 2011 e 2014, o veículo foi apreendido duas vezes, em Lajeado, município de menos de 75 mil habitantes, onde o JAD nasceu.
"Tive que aguardar muito tempo até sair a documentação. Só saiu agora em janeiro. Queria botar o carro na rua", conta.
Inventor relatou a fiscais que pretendia demonstrar eficiência do veículo (Foto: Guilherme Giannoulakis/Arquivo Pessoal)
Inventor levou multa ao tentar exibir vantagem
(Foto: Guilherme Giannoulakis/Arquivo Pessoal)
Nesta semana, ele voltou a ser alvo de fiscais de trânsito. Ao tentar estacionar no sentido inverso para mostrar a eficiência das dimensões do carro, foi multado em R$ 85,13. "O fiscal não gostou da brincadeira, mas tentei justamente mostrar que a função do carro é essa. Daria pra colocar três carros dos meus".
Ao comentar o mercado automobilístico, Dresch afirma acreditar na viabilidade da tecnologia. "A gasolina está com os dias contados, não vai durar muito tempo. Quero mostrar ao mundo que há chance de amenizar e ajustar o trânsito", aposta.
Concebido em 2010, o projeto levou menos de um ano para ficar pronto. "Quando olho pra ele, penso 'será que fui eu que fiz?'". Um sistema de 14 baterias mantém uma corrente contínua que aciona o motor de 5 CV do minicarro, com capacidade para duas pessoas e espaço para bagagens. Tudo pode ser recarregado na luz com um plugue convencional em menos de uma hora. "É para andar na cidade e concorrer com as motos", enfatiza.
Para o inventor, há viabilidade para uma produção em larga escala e no varejo. Ele garante que o consumidor poderia adquirir um JAD por menos de R$ 20 mil. "Estou conversando com umas quatro empresas. Nesta semana, estou mantendo contato com uma companhia de Caxias do Sul".
De acordo com Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a eficiência de veículos elétricos a bateria é de aproximadamente 70%, percentual igual a quase cinco vezes a eficiência de veículos convencionais (14% a 18%). A entidade destaca que, no mês passado, uma parceria para fomentar o modelo no Brasil foi firmada entre a Itaipu Binacional e o Centro para a Excelência e Inovação na Indústria do Automóvel (CEIIA), de Portugal.
A primeira fase prevê a implantação de sistemas de controle e monitoramento nos veículos elétricos em Brasília e Curitiba, que devem receber modelos elétricos durante a Copa do Mundo.
Motoristas acatou orientação e reposicionou o veículo (Foto: Guilherme Giannoulakis/Arquivo Pessoal)Carro ocupa menos da metade de uma vaga convencional (Foto: Guilherme Giannoulakis/Arquivo Pessoal)

Estêvão Pires
G1
Editado por Gazeta Social
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