sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Alunos do ensino básico do DF criam cadeira de rodas controlada pelo rosto


Imagem: Isabella Formiga / G1
Alunos do 5º ano de uma escola pública em Ceilândia, no Distrito Federal, desenvolveram em sala de aula uma cadeira de rodas motorizada impulsionada por movimentos faciais. Uma série de equipamentos registra os movimentos do rosto e os decodifica, "dizendo" ao motor da cadeira para onde ir. A invenção concorre ao prêmio Professores do Brasil, do Ministério da Educação.

Sentado na cadeira com um capacete acoplado à cabeça e um laptop no colo, o estudante Gabriel Teixeira, de 10 anos, já é experiente em demonstrar como funciona o protótipo. Ele explica que com um meio sorriso à esquerda ou à direita, é possível indicar para qual direção a cadeira deve se virar. Para se mover para a frente, basta levantar as sobrancelhas.

A cadeira, que custa R$ 7 mil, foi emprestada para o projeto. O restante do equipamento custou R$ 300, pagos pelo professor Marcelo Almeida, da Escola Classe 25, que liderou o projeto. O veículo se move a até 7 km por hora e tem uma bateria recarregável para 30 horas de uso.

"O projeto atenderia qualquer pessoa que só pudesse mexer do pescoço para cima e nem pudesse mexer no joystick", disse o professor. "Qualquer movimento muscular é suficiente para movimentar o sistema. Até da língua."

Formado em pedagogia na Universidade de Brasília (UnB) e especialista em eletrotécnica, Almeida dá aulas de matemática, ciência e português para alunos do 5º ano. Ele diz que sempre foi apaixonado por tecnologia e que antes de partir para a construção do protótipo com as crianças, incluiu nas aulas princípios de robótica, eletrônica e inglês técnico.

"Os alunos aprenderam sobre o funcionamento de fios, circuitos e baterias", disse. "É um projeto riquíssimo de ciência pura. Foi gradativo, mas eles conseguiram captar."

A estudante Ellen Antunes, de 10 anos, sabe explicar o que é cada peça do protótipo e como cada uma funciona.

"Esse é um aparelho que se chama interface-cérebro-computador", diz a menina, sobre o capacete na cabeça do colega. "Ele contém 18 eletrodos que captam sinais elétricos das expressões faciais e mandam mensagens via bluetooth para o software."

Segundo o professor, o capacete funciona como um eletroencefalograma. "Os eletrodos captam as sinapses mais elétricas, tanto do cérebro como mecânicas", diz.

Almeida explica que o software recebe a mensagem e manda para uma placa microcontroladora, chamada arduíno. O pequeno equipamento é responsável por decodificar os sinais e enviar ordens para o motor, como a quantidade de graus necessárias para a roda virar à direita ou à esquerda.

Segundo o professor, o equipamento pode ser 'treinado' para obedecer a quaisquer movimentos faciais. "Se quiser piscar o olho e treinar para a frente, ele treina", disse.

Almeida diz que o próximo passo do projeto é desenvolver um braço robótico seguindo o mesmo princípio de movimentos faciais. "Vamos colocar sensores na cadeira para identificar obstáculos à frente. Com o braço robótico a pessoa vai poder se alimentar, pegar objetos, e fazer coisas para ficar um pouco mais independente e ter mais autoestima", disse.

No mês passado, os estudantes e o professor levaram a cadeira para uma solenidade na Câmara Legislativa do Distrito Federal em comemoração à Semana da Ciência e Tecnologia. 

Isabella Formiga 
G1
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